Esse é o blog do Ospália. Aqui você poderá ver o que acontece e o que não acontece nos projetos Ospaliantes. Além de informações variadas sobre palhaços e arte de maneira geral.

domingo, 30 de maio de 2010

Quadrão

O raio do sol suspende a lua,por causa do palhaço que saiu pra rua.O sino da matriz já bateu seis horas,coitado do palhaço que já vai embora




Cena do filme "I Clowns" de Fellini

CIRCO DE "BOLANTINS" n°2

Este artigo foi retirado da página virtual: http://www.jangadabrasil.com.br


Dos circos de cavalinhos ou de bulantins, dos sempre lembrados tempos da nossa quadra infantil, um personagem, por sinal, muito popular e admirado, e porque, não dizer, querido mesmo, ficou indelevelmente gravado no fundo do nosso coração e dele, francamente, temos saudades.

Referimo-nos ao palhaço.

Aquela figura burlesca de cara pintada que à tarde, montado a cavalo, andava pelas ruas anunciando o espetáculo e à noite, no picadeiro, nos fazia rir à vontade com seus ditos e momices.

Em dias de função, ao cair da tarde, trajando espalhafatosa indumentária e cavalgando às avessas, isto é, de costas voltadas para a frente da montaria, saía o palhaço para cumprir sua missão.

Como por encanto, de todos os lados surgiam crianças e às vezes taludos mesmo, que a cada instante engrossavam o barulhento e heterogêneo cortejo.

O préstito bufo, cada vez mais numeroso, percorria quasi toda a cidade, alertando e animando-a para a função.

Uma vezes cantando, outras não, ao que a turma em coro respondia, o palhaço ia fazendo o seu anúncio.

São do nosso tempo, o que vamos recordar.

- Hoje tem espetáculo?
- Tem, sim, senhor.
- Às oito horas da noite?
- É, sim, senhor.
- Hoje tem marmelada?
- Tem, sim, senhor.
- É de noite e de dia?
- É, sim, senhor.
- Aproveita moçada.
- Dez tostões não é nada.
- Sentadinho na bancada.
- Para ver a namorada.
- O palhaço o que é?
- É ladrão de mulher.
- E a moça na janela?
- Tem cara de panela.
- E a negra no portão?
- Tem cara de tição.
- A criança que chora?
- Quer mamar.
- E a moça que namora?
- Quer casar.
- Hoje tem forrobodó?
- Tem, sim, senhor.
- É na casa da tua avó?
- É, sim, senhor.
- Hoje tem arrelia?
- Tem, sim, senhor.
- É na casa da tua tia?
- É, sim, senhor.
- É de perna de pau?
- É de blau-blau-blau.
- O batuque na cozinha
- A sinhá não quer.
- E por causa do batuque?
- Eu queimei meu pé.
(cantando)
- Papai, mamãe, venham ver titia.
- Tomando banho de água fria.
(cantando)
- Papai, mamãe, venham ver vovó.
- Tomando banho de água só.
(cantando)
- Papai, mamãe, venham ver Loló.
- Tomando vinho com pão de ló.
- O raio de sol suspende a lua.
- Por causa do palhaço que saiu à rua.
- O sino da matriz já bateu seis horas.
- Coitado do palhaço que já vai embora.
- Viva a rapaziada sem ceroulas.
- Vivaaaaaaaaaaaaaaaas...

Quando regressavam, nos fundos do circo havia um "peludo", assim crismados pelo vulgo, os empregados, o qual era encarregado de marcar os acompanhantes do palhaço.

Consistia esta marcação, em fazer na testa de cada, determinado sinal com tinta preta ou branca. Servia esta marca, para à noite, dar ao seu portador, livre ingresso ao espetáculo.

Radiantes voltavam todos para casa, conservando religiosamente a marquinha, bem no centro da testa. Quando tentavam apagá-la ou o faziam, era motivo de demorado choro ou solenes taponas.

Verdadeiro ato de heroísmo praticavam os que tinham a ousadia de penetrar no recinto do circo, entrando por debaixo do pano.

Além de alta cerca de arame, tinham os penetras que enfrentar, às vezes, cachorros e quase sempre, as alentadas varadas dos encarregados da vigilância externa.

Inesquecíveis tempos aqueles, em que crendice generalizada entre o povo era, que a chegada do circo de bulantins, representava sinal certo de mau tempo e chuvas...


São Francisco do Sul, julho de 1956.


(SILVEIRA, O. Em Boletim da Comissão Catarinense de Folclore.)

CIRCO DE "BOLANTINS"

Esse artigo foi retirado dá página virtual: http://www.jangadabrasil.com.br


Uma das mais antigas formas de distração de que o povo sempre gostou foi a do "circo de bolantins", "circo de cavalinhos", nomes populares dados a essa esplêndida distração que é a instituição circense, percorrendo as cidades, enfeitando as noites com acrobacias, luzes, ribaltas improvisadas, canto, teatro, animais domesticados enfim tudo aquilo que oferece um espetáculo não raro inesquecível.

Dizem que o circo morreu. Não é verdade. Basta revê-lo agora nos vídeos das televisões para se aquilatar da sua vitalidade. Ele teve que assumir em outras formas, abandonar os picadeiros, os barracões de lona para retomar a sua alta finalidade educativa e provocadora de suspense e hilaridade noutro local - nos estúdios de televisão.

Ainda pelo interior do Brasil algumas companhias circenses nesse afã heróico percorrem cidade por cidade.

Saiu pela rua, à tarde, um palhaço, acompanhado pela criançada, um magote de quinze meninos. O palhaço ia anunciando o espetáculo, cantando, e a "rabacuada" respondendo:

- Eu vi a negra na janela, - respondem os meninos em coro:

- Tinha cara de panela.

Solo: - Eu vi a negra no portão.

Coro: - Tinha cara de tição.

Solo: - Hoje tem espetáculo?

Coro: - Tem, sim, senhor.

Solo: - Hoje tem marmelada?

Coro: - Tem, sim, senhor.

. . . . . . . .

Solo: - Hoje tem forrobodó?

Coro: - Tem, sim, senhor.

Solo: - Na casa da sua avó?

Coro: - Na sua!... Na sua!

Os moleques que saíram a cantar pela rua atrás do palhaço receberam no braço uma marca de tinta-óleo. Tal marca seria mostrada à noite ao porteiro do circo, assim o portador teria ingresso gratuito ao espetáculo. É a recompensa do trabalho de sair gritando pela rua, acompanhando o palhaço.

- O palhaço o que é?

- É ladrão de mulé!

- O palhaço é bão?

- Pra comê com feijão.

- O raio de sol suspende a lua...

- Brabo palhaço que tá na rua...

A farândola alegre passa e mal se ouve o resto da propaganda do spetáculo que à noite reunirá os ämarra cachorro" mal ajambrados dos dólmãs ou "casaca-de-ferro", a correr de um canto para outro ou imóveis quando a companhia entra triunfal para a apresentação inicial do picadeiro: barristas, mágicos, bailarinas, cantores, equilibristas, palhaços, trapezistas. E lá no poleiro, na arquibancada, daremos a melhor das gargalhadas com as piadas dos palhaços e bateremos palma hoje à noite Porque o circo não morreu!

- Hoje tem espetáculo?

- Tem, sim, senhor.


[1973]


(ARAÚJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira)

sábado, 29 de maio de 2010

A Volta dos paiaços

Eis os paiaço na praça outra vez
Pisando na ponta dos pés
Como quem vive aos tropeções
Que rolaram nos cabarés
Entre cascatas e bofetões
Entre mendigos e coronéis
Entre covardes e machões
Os paiaço andam assim de viés

Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que os paiaço são da ralé

(paródia da música "A volta do malandro" de Chico Buarque)