Esse é o blog do Ospália. Aqui você poderá ver o que acontece e o que não acontece nos projetos Ospaliantes. Além de informações variadas sobre palhaços e arte de maneira geral.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Atália = Ata d´Ospália

Itajaí, sábado - 14hrs - 18hrs, 26 de junho de 2010

Cheguei ao Porto Cênico e todos esperavam na rua sob o sol forte e quente de inverno. A chave ainda não havia comparecido com o ar de sua graça! Até que chegou sob a guarda da Valéria.
O trabalho iniciou como de praxe com aquecimentos físicos individuais! A proposta foi cada um sintetizar 5 gestos, movimentos, pelo menos foi o que entendi e o que me lembro.
O resultadofoi apresentada em roda.
Eu escolhi 5 emoções que predominam em minha personalidade. Bom, se alguém não usou esse critério o resultado não pingou longe disso, como fugir do que estamos?
Fomos organizados conforme proposta de trabalho já em caminho. Solo, duplas, trios!
Somando as partituras anteriores as frases escolhidas dentre várias espalhadas pelo chão fizemos uma improvisação. Me lembrou o teatro jornal do Teatro do Oprimido já que vinham todos de jornais, creio que todas do mais pop dos jornais, o Diarinho.
Saiu diversas como o pássaro TRE, tatuagem da cadela, a revolta da geladeiras, homem de chifre não sei o que, o homem banco...
Para mim o trabalho foi nesse dia muito produtivo já que a comunicação no grupo fluiu melhor. Sem falar que o clima estava mais ameno com tanto sol!
Teoria:
“Apropriei-me do espaço externo como parte indispensável do meu eu interno.” Mestra Jô Fornari
“Estar fisicamente presente é estar em uma terra animada e viver como uma imagem do que querem ver é estar numa terra devastada.”
“A prática de corpar restaura nosso senso de sanidade, estabelece o senso de sermos uma entidade.” Ambas do livro O Mito e o Corpo de Stanley Keleman
“A emoção do momento se revela na contratura muscular.” Ou algo parecido, quem disse?
“Quanto mais profunda a emoção maior seu alcance, como uma árvore que tem na mesma medida copa e raízes como um espelho.” Eu (escrito não pronunciado no encontro)
“É preciso acreditar para se fazer crer.” Quem?
Missão cumprida!

terça-feira, 29 de junho de 2010

lembranças do encontro do dia 19 junho postadas no dia 29 de junho

Quarto encontro d’Ospália, eu sou o responsável por fazer um relato. Passados 10 dias do referido acontecimento. Ainda não fiz o que deveria ter feito. E cada vez, fica mais complicado, pois, os detalhes do encontro vão ficando escondidos no meio dos turbilhões de pensamentos, que lotam dia-a-dia, a nossa mente.

"SOCORRO!!! Alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha.
Por favor, alguma ilusão pequena qualquer coisa.
Qualquer coisa que se sinta, tem tantos sentimentos deve haver algum que sirva!'
(Arnaldo Antunes)

Enfim....
E o relato ou ata como alguns gostam de dizer?
Ainda não escrevi.
Numa outra postagem, o Renê perguntou o que era Ata.
Bom, Renê te confesso que não sei o que quer dizer “ata”. Sei que é um relato de uma reunião e que segue algum modelo de formatação. Mas o quer dizer eu não sei. Como não quero seguir modelos de formatação. Vou escrever uma des-ata do quarto encontro do Ospália:

Lembro dá luz que veio do vazio.
Lembro do Paulo dizendo para eu escrever sobre o vazio.
Lembro que joguei com o Paulo e com a Ana

Não lembro mais nada.
...
Lembro que o trio: Ana, Charles e Paulo. Brincou e gostamos disso.
Lembro que o contato físico com o parceiro de jogo deve ser feito se tiver uma confiança no companheiro de cena e uma atenção redobrada para os sinais que o companheiro te emite.
Lembro que chegamos lá de carro juntamente com a Jô o Laércio.

Não lembro mais nada.

Lembro d'uma folhagem no lugar onde tinha goteira e do James falando que ia deixar lá, porque, assim evita de molhar o chão e rega a planta ao mesmo tempo.
Lembro que era pra ter levado os narizes, porém, teve gente que não levou.
Lembro que as improvisações foram legais

Não lembro de mais nada.

Lembro de no início ter medo, pois só tinha seis ospálias no encontro sendo que atualmente, somos onze, medo do projeto terminar com poucas pessoas. Depois desapeguei, e fui fazer o meu trabalho que é participar do grupo. O resto é conseqüência. Bem que no encontro seguinte, já tinha mais presenças. Ops... Não é pra escrever sobre o quinto encontro. É pra escrever sobre o quarto encontro. É isso que dá demorar pra escrever o relato.

Bom é isso leitores

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um Corpo "Apropriador"

Jô Fornari e Fernando [?], durante exercício de apropriação física de elementos cênico-criativos.

Sigo pela rua, de peito aberto para encontrar aquilo que ela tem pra me oferecer. Logo em frente encontro uma moça que fazia bichinhos com bexigas, entrei na fila e ganhei um.

Percebi que aí estava a possibilidade de se formar algo. Um jogo, uma forma concreta de contato com o público, que até então estava um tanto receoso comigo. Um simples pato de balão foi o que ela me fez. Foi automático, é como se o pato tivesse tomado vida, e passou a ser meu amigo. Eu cuidava dele e ele de mim. Sem querer construir uma informação em mim, ou buscar algo externo, quando me dei conta, eu era o pato. Desde a forma física até o som. E assim passei uma boa parte da manhã interagindo com as pessoas. Eu acreditava e era quase impossível o meu interlocutor não ser tomado pela minha crença. Eu e meu pato verde e perigoso.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Relato do terceiro encontro

Pontualmente no dia de hoje, e na hora de hoje nos reunimos (Ospália) na sede do Porto Cênico e dessa vez, nós entramos!

James conduzindo o trabalho, iniciamos trazendo nossos pensamentos para o local(nossa agora pensei como seria eu trazendo meu pensamento para um local?), através de movimentos que nosso corpo sentia necessidade (obs: passando muito frionos pés) alternando os ritmos, transpondo o peso do corpo para determinada regiões a partir disso começamos a pesquisar esses movimento, acrescentando o olhar e buscando sentir as sensações de alguma coisa que você criou exemplos do James: Flor, semente, cachoeira e por ai vai.... e tentar trazer isso de uma forma humana, o importante era sentir as sensações, bom pessoal não sei se conseguiram identificar mais eu tentei fazer um relógio e sentir as sensações do vento.... entenderam?Conforme foi desenvolvendo os movimentos James pediu que escolhêssemos três deles e encontrasse alguém para jogar com você, buscando a interação como parceiro através da improvisação depois de algum tempo de jogo com o parceiro formamos um mini público e cada duplo ou trio formado se apresentou, assim ao final das apresentações iniciamos uma “discussão” sobre o que poderíamos melhorar e ampliar a visão das possibilidades, ressaltamos a profundidade das pequenas coisas e a importância de acreditar no que estou fazendo, entretanto compartilhando isso como público de uma forma Clownesca (essa palavra existe?) Tentando fazer algo para dar certo que o objetivo é dar errado que é o que interessa. Sem mais nem menos encerro no dia de hoje e na hora de hoje a minha ATA. Aproveitando o que significa ATA? Espero que passe na prova.
Assinado: ReNê CarValhO.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A SUBJETIVIDADE DO ATOR E O CLOWN com Marianne Consentino

Olá Amigos

O L.E.G.U.M.E. PALHAÇOS está a promover um retiro de palhaço do dia 03 até dia 09 de julho, durante o retiro acontecerá a oficina: A SUBJETIVIDADE DO ATOR E O CLOWN com Marianne Consentino

Esse retiro será um momento de distanciamento do nosso cotidiano para mergulharmos profundamente no trabalho de pesquisa com o palhaço. Consiste em 7 dias na praia de Pereque em Porto Belo numa casa a 50 metros da praia convivendo e estudando em grupo. (Logo abaixo tem a descrição da oficina)

Para participar deve-se solicitar a ficha de inscrição pelo e-mail palhacoslegume@gmail.com .

O investimento para a oficina é:
  • Disponibilidade para o trabalho
  • Disponibilidade para a convivência em grupo
  • 200 reais.
A inscrição só será confirmada após o pagamento de 50% ou 100% do valor de 200 reais. Caso a pessoa pague 50% na primeira parcela os outros 50% deverão ser pagos no primeiro dia de Oficina. O prazo máximo para inscrição é o dia 26 de junho.

As vagas são limitadas e será dada preferência para a comunidade Itajaiense caso não cubra todas as vagas será aberta para pessoas de outras cidades.

Embora o retiro seja do dia 3 até o dia 9, o alojamento será feito no dia 2 de julho e a saída da casa será no dia 10 de julho, Isso para não prejudicar o trabalho durante os 7 dias. Para chegar no espaço será organizado o transporte com os inscritos de Itajaí até Pereque.


O projeto tem o apoio da prefeitura Municipal de Itajaí, da Fundação Cultura de Itajaí e do TECONVI através da Lei Municipal de Incentivo á cultura


Apresentação da Oficina:

De acordo com o encenador inglês Peter Brook, “o teatro talvez seja uma das artes mais difíceis porque requer três conexões que devem coexistir em perfeita harmonia: os vínculos do ator com sua vida interior, com seus colegas e com o público” [1]. Embora Brook não se refira em nenhum momento ao clown, os elementos considerados por ele como necessários ao ator são o que legitimam o clown, ou seja, sem esses elementos o clown não existe. Nesta oficina o clown é apresentado como a exposição dos aspectos ingênuos e ridículos do ator diante de um público. Esta é a linha de pesquisa seguida sobretudo pelos clowns franceses, que consideram mais importante a maneira como o clown faz algo, do que o que ele faz propriamente. Segundo esta linha, a relação com o público e com o ambiente é um aspecto essencial para o desenvolvimento do ator nesta linguagem. Deste modo tanto a conexão do ator com sua vida interior quanto sua relação com o universo exterior se configuram como princípios fundamentais – o que nos leva a crer que a técnica do clown pode ser um caminho para a arte do ator. Por incitar o contato do ator com seu universo interior, a técnica do clown propicia, enfim, a exposição da subjetividade – pessoal e coletiva. Assim esta oficina pretende lançar um olhar para as características pessoais do ator e para a maneira como esta individualidade pode ser exposta coletivamente no fazer artístico.

Objetivo Geral: Estimular o processo de contato do ator com sua subjetividade através de exercícios e jogos de iniciação à arte do clown.


Objetivos específicos:
- Propiciar a experimentação de alguns princípios técnicos essenciais à linguagem clownesca, como a noção de foco, triangulação e relação direta com a platéia;
- Despertar o “estado de jogo”
- prontidão, espontaneidade, alegria
– através de exercícios de improvisação;
- Estimular o contato do ator com o universo lúdico do clown através de brincadeiras e jogos;
- Promover a relação entre o ator e a máscara através do uso do nariz vermelho;
- Vivenciar a relação em grupo, estimulando as relações de confiança, entrega e doação ao outro.


Metodologia:
A oficina está centrada na experimentação prática; os conceitos relativos à linguagem do clown serão abordados na medida em que forem vivenciados corporalmente. Os encontros/ vivências pretendem abordar:
- Jogos;
- Exercícios corporais;
- Exercícios de exposição pessoal;
- Exercícios de sensibilização;
- Improvisações.
Currículo resumido da Ministrante: Marianne Tezza Consentino é licenciada em Educação Artística – Habilitação Artes Cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2004), mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (2008) e doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (2010-em andamento). Sua formação prática na linguagem da comédia se deu através de cursos com Beth Lopes (São Paulo), Leris Colombaioni (Itália), Ricardo Puccetti (Campinas), Sue Morrison (Canadá), entre outros. Sócia-fundadora da Traço Cia. de Teatro (2001 – Florianópolis/SC), dirigiu os espetáculos mais recentes da companhia: Fulaninha e Dona Coisa, de Noemi Marinho e As três irmãs, de Anton Tchékhov. As montagens participaram de festivais nacionais e internacionais, recebendo diversas indicações e premiações, entre elas melhor espetáculo e direção (As três irmãs) e melhor atriz (em ambos os espetáculos).

[1] BROOK, Peter. A porta aberta: reflexões sobre a interpretação e o teatro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002, p. 260.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Na rua, a "pancada"!

Esta semana, enquanto preparava o material para nosso próximo encontro, resolvi reler minhas anotações sobre as “saídas a campo”. O relato que segue abaixo é de sete anos atrás.

Acredito que já haviam se passado uns 50 minutos que eu estava na rua. Mas não tenho certeza. A noção de tempo na rua, quando estou atuando como clown, toma outras proporções, e isso não importa.

De repente, percebi que eu estava sendo, digamos, atacado por crianças. Empurravam-me, chutavam e gritavam, mas percebi que não era por maldade, mas como se o palhaço estivesse ali com intuito de ser um saco de pancadas. Talvez toda a informação que tinham, sobre a função de um palhaço, fosse essa [vivemos cercados de estereótipos e noções de senso comum]. Por fim conseguiram o que mais queriam: arrancar meu nariz. Estavam felizes, e afirmo isso, pois por alguns segundos vi o brilho no olhar de cada um, e nos segundos seguintes os pequenos rostos se desmanchando enquanto um deles comentava.

- Ele não é de verdade!

Todos saem correndo e desaparecem pela rua. Espantei-me. Não entendi. Um vazio luminoso me preencheu. Achavam eles que meu nariz era daquele jeito? E o que seria um palhaço de verdade?

Obrigado rua. É por sua causa que tenho este registro anotado. Obrigado crianças. É por causa de vocês que consigo perceber o mundo por outro ângulo. Obrigado “Ospália”. É por causa de vocês, que após sete anos, releio este registro.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Faço disso o que faríamos juntos

Disso tudo espero alguma coisa
espero um riso torto pelo menos
Busco com olhares o que me faz perdedor
e encontro no jogo o que me entrega

Não posso pedir maçã a um pessegueiro

O ventinho que vem da nuvem acelera o cata-vento
O ventinho brinca de ser grande e pequeno
Tudo vira mágica, ilusão
Menina bonita que segura minha mão

Se eu pedir água dessa nuvem, terei agora?

Sem soar a sineta
a brincadeira se controla,
a calmaria volta.
Mas tudo o que eu quero é justamente do avesso

Por isso ao mar entrego meu presente
que acaba voando pela mão do homem
Em cima de nós.

No tempo encontro um aliado, quando se vai, se foi.
O que acabou, acabou.
Do nada faço o tudo
e o que era pra não ser, façamos juntos


Depois toco a sineta para agradecer o vento que veio me visitar
E comendo suculenta maçã embaixo do pessegueiro, me despesso das asas do homem
que veio quando todo mundo já se foi.


Saída de palhaço do dia 15 de junho de 2010, em Itajaí, da Ana e do Charles.

Como fazer uma saída de campo?

7-Corpo (no sentido mais amplo da palavra) presente.
6-Disponibilidade para aceitar o que a rua te propõe.
5-Nariz vermelho é importante pois ele é uma porta de entrada, mas pode sair sem ele também.
4-Olhos bem abertos.
3-Ponha uma roupa que se sinta a vontade.
2-Pouca maquiagem.
1-Por favor sem idéias prontas, sem conceitos pré-concebidos.


O resto é com o momento. Não há como prever e receitar precisamente uma saída de campo. O aqui e agora e a improvisação guiam nossas ações. O imprevísivel nos puxa o tapete e nos bota sem sentido ou nos dá um presente e nos permitir transformar a nós mesmos.

humildade

serumano = serumanjo

O que é muito fascinante nas intervenções urbanas. É o poder de entrar na rotina, no cotidiano, no dia-a-dia e mexer desorganizar mesmo por um instante. Estancar o curso da violência mais latente de hoje em dia que é o dominio sobre o corpo (no sentido mais amplo da palavra) , o tempo e o espaço. Onde o vivemos numa cegueira branca.
O arquétipo do palhaço por estar numa situação de não ter nada, de ser o último dos últimos e de ter apenas sua dignidade. Faz outro uso do corpo (no sentido mais amplo da palavra), do tempo e do espaço, e assim pode refletir para as pessoas a falta que faz o dominio desses três.

Palhaços do mundo inteiro uni-vos e percamos. Para refletir como nossa humanidade é frágil e como o cotidiano ao qual somos impelidos no mundo contemporâneo é mesquinho. Quem me dera a espontâneidade que hoje habita alguns coraçõezinhos como os da Luana (uma menina que me ensina a serumano e serumanjo), ou daquela velinha tarada que tira uma casquinha do palhaço.

Vo-ar

segunda-feira, 14 de junho de 2010

o palhaço para nada mas é do que o espelhos de todos nos..ser palhaço é ser humilde ter amor e saber lidar com os problemas do seu jeito...
beijos

sábado, 12 de junho de 2010

ATA D’OSPÁLIA

Pontualmente no dia de hoje, e na hora de hoje nos reunimos (Ospália) na sede do porto cênico e dessa vez, nós entramos!
James conduzindo o trabalho, iniciamos tranzendo nosso pensamento para o local (nossa agora eu pensei como seria eu trazendo meu pensamento para um local?), através de movimentos que nosso corpo sentia necessidade (obs: passando muito frio nos pês) alternando os ritmos, transpondo o peso do corpo para determinadas regiões e a partir disso começamos a pesquisar esses movimento, acrescentando o olhar e buscando sentir as sensações de alguma coisa que vocÊ criou exemplos que James citou: Flor, semente, cachoeira e por ai vai...e tentar trazer isso de uma forma humana, o importante era sentir as sensações.
Conforme foi desenvolvendo os movimentos James pediu escolhessêsmos três deles e encontrasse alguém para jogar com você, buscando a interação com o parceiro atravês da improvisação depois de algum tempo de jogo com o parceiro formamos um mini público e cada dupla ou trio formado se apresentou, assim ao final da apresentação iniciamos uma "discussão" sobre o que poderíamos melhorar e ampliar a visão das possibilidades, ressaltamos a profundidade das pequenas coisas e a importância de acreditar no que estou fazendo, entretanto compartilhando isso com o público de uma forma clownesca, tentando fazer algo para dar certo que o objetivo é dar errado que é o que mais interessa.
Sem mais nem menos encerro no dia de hoje e na hora de hoje a minha ATA.
A vida do palhaço por estar sempre conectado ao presente passa a ser atemporal , revelando-se e renovando-se a cada instante constantemente. Dessa premissa surge a poesia...
" Sentimentos ativos no presente constante
a vida se manifestando icessantemente.
No futuro adiante
Me livrando dos problemas
sigo para o alto e avante."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ATA DO SEGUNDO ENCONTRO


ATA D’OSPÁLIA


Fui democraticamente indicada para secretariar o segundo encontro do grupo Ospália. Como é de minha extrema competência (pois vivo disso e ganho muito bem pelo desempenho) fazer atas de reuniões, aceitei gentilmente e sem pestanejar esse distinto e honrado ofício.

Assim que... Tentarei.


"Aos cinco dias do mês de junho do ano de dois mil e dez, reuniram-se na sede da Cia Andante o pessoal D´Ospália. Por quê? Bem, porque o Osmar trancou a Sede do Porto Cênico e esqueceu a chave lá dentro, impossibilitando-nos de entrar. Então para salvar o bando de palhaços desesperados, o encontro novamente aconteceu na sede da Cia Andante. Treze pessoas estavam presentes numa pequena sala de chão de madeira cor castanho desbotado, tentando por todas as forças, alongar, esticar, puxar, expandir, crescer, transcender, enfim, essas coisas que o povo do teatro faz antes de entrar diretamente pro trabalho de cena. Era um vendaval de mãos, pernas, braços, cabeças e narizes tentando encontrar seu lugar ao sol, digo à sala, pra poder fazer o que o chefe-mor James Beck, o distinto instrutor , solicitava do grupo. Finalizando o aquecimento cada ator selecionou 3 matrizes corporais que surgiram. E não é que deu certo?! Todos se esquentaram bem e pasmem... sem nenhum arranhão... Ufaaaa!!! James propôs em seguida um exercício simples (bem, nem tão simples assim...) que consistia em: uma dupla deveria apenas intercalar os olhares. Entre eles e entre o público, no caso, nós que assistíamos. Enquanto o ator 1 olhava para o público e fazia qualquer coisa ou coisa nenhuma, seu parceiro de cena, o ator 2, deveria focar seu olhar no ator 1. E assim , iam se revezando , um olhava para a platéia e o outro olhava para aquele que estava olhando para a platéia e quando aquele q estava com a platéia dirigia o olhar pro parceiro, este deveria dirigir seu olhar para a platéia . Uma espécie de triangulação e claro, um jogo. Dentre as sete improvisações que aconteceram, muitas imagens e jogos interessantes, assim como, um monte de bobagens e coisas inúteis, fúteis, ridículas e nojentas estiveram presente. No final do exercício, uma roda redonda e as avaliações e impressões sobre as improvisações. Ainda como um último exercício, em grupos de 3 ou 4 pessoas, foi proposto uma integração, um diálogo entre as matrizes corporais de cada um, aquelas lá do aquecimento . Propostas inovadoras, conceituais, com toda uma idéia por trás, estruturas cênicas e outras cositas mas apareceram .Vale destacar que, todos os jogos e exercícios foram realizados sem o uso da máscara, o NARIZ. Ops... Sem nariz?! Mesmo? Não... sim, tinha nariz! Peraí, não to lembrada, mas... se não tinha nariz, por que parecia que eram palhaços? Então, como toda Boa Ata, na próxima esclareço este fato. Mas enfim, mais um encontro chegou ao final e todos ficaram felizes e contentes, saltitantes e eufóricos, mas... O que ficou mesmo desse encontro? Ah, sim... PORRRR FAVORRRR, sem mí-mi-ca!!! Finalmente, sem mais, eu, Jô Fornari, lavro e assino esta ata, da qual dou fé, jurando por DEUS que é tudo verdade."

terça-feira, 8 de junho de 2010

Construções

Se eu estou “fechado”, só posso criar algo “fechado” para meu trabalho. Mas se estou “aberto”, pode até existir, por opção, a possibilidade de eu criar algo “fechado”, mas existirá então, paralelamente, a possibilidade de criar elementos “abertos”. Ao criar algo para meu trabalho, não existe mal nenhum em utilizar uma técnica pronta, já estudada por alguém, desde que se tente absorver ao máximo e transpor para uma realidade própria. Acredito que é necessário utilizar características próprias, internas e verdadeiras, mesclar com a técnica que se optou por utilizar, e seguir em busca da organicidade, sem perder a identidade do seu trabalho. Mas como fazer com que o orgânico pareça natural no palco? Tarefa difícil! Busca constante! Yoshi Oida, defende, que é praticamente impossível. Entretanto, é essencial parecer. Quando estamos inseridos em uma teatralidade que visa a grupalidade, é necessário estar aberto também aos comentários dos outros. Confiar na sugestão/observação do companheiro. Precisamos um do outro durante os treinos ou na busca da técnica apropriada para cada grupo. Só temos um ao outro, e é onde devemos nos agarrar para encontrar o caminho da “abertura orgânica”.

sábado, 5 de junho de 2010

Onde ele está? Quando ele surge?

Na tradição, sempre foi um virtuose das acrobacias. O tempo e a idade foram agindo [como sobre qualquer outro humano]. Não podendo mais realizar os seus números, ensinava-os a um jovem, que o substituiria, e ele então surgiria.

A chave está naquilo que ele não sabe fazer, lá onde ele é fraco. É preciso aceitar-se e mostrar-se tal como se é. Uma criança que cresceu e que o senso comum não permite desvelar. Mas a cena permitirá, melhor do que a vida.

A menor máscara do mundo.

Ele sabe realizar seus fracassos com talento. Entrega-se puro e sem defesas.

Surge o “riso do corpo”, onde a graça é orgânica.

A graça foi criada ou ela já estava ali? Talvez em algum canto escuro. E desbloqueado/desarmado ela surge quando simplesmente me permito “estar”.

Luzes da Ribalta de Chaplin

Cena final do filme Luzes da Ribalta.Número comico-musical com Chaplin e Keaton:
http://www.youtube.com/watch?v=ZUpiD8vEw2Y

Luzes da Ribalta: http://pt.wikipedia.org/wiki/Luzes_da_Ribalta
Charles Chaplin: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_Chaplin
Buster Keaton: http://pt.wikipedia.org/wiki/Buster_Keaton

Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações
(Chaplin)


http://www.youtube.com/watch?v=VWAIoLWy0Bc

A poética de um clown


Ser Clown no es solamente componer un personaje teatral o circense, ni ser autor de tu espectáculo, es ser poeta, no hacer poesía, sino ser la poesía, un acto poético, un camino, una elección única y para siempre, algo que marca, hasta el limite de lo desconocido.
.
.
Gabriel Chamé Buendia
(Postagem retirada do blogue: http://palhacovoador.blogspot.com/ )

Vo-ar

"Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram.É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos vôos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…"
Rubem Alves

"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras"
Clarice Lispector

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio. Ninguém, exceto tu!"
Nietzsche

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A função mais profunda do Clown (Palhaço)

Os artistas devem acordar para a sua função especial na transformação social!


No caso do Clown (Palhaço), a responsabilidade aumenta,

pois através do humor, Você acessa níveis mais profundos do ser humano!
O receptor vai estar mais aberto, para receber informações para a transformação e consciência!


A função do Clown, não está restrita ao entretenimento,

pois este, tem sido utilizado para anestesiar o povo!


Ele deve educar através do riso,

para compensar o sistema de educação que formata robozinhos!


Charles Chaplin, demonstrou essa determinação em seus filmes e biografia.

Citamos os exemplos nos filmes “Tempos Modernos” e “O Grande Ditador”,

onde através da sátira e conteúdo, expôs nossa loucura social,
crenças distorcidas, medo e escravidão!

Seu tom pessoal de melancolia interior o fez olhar pro que faltava
e perceber que tinha que fazer alguma coisa!


O verdadeiro Médico e Clown, Hunter Patch Adams,

é um desses indivíduos que busca expor as verdades sociais
através do Clown, como linguagem de Amor!

(Vejam a sua entrevista no programa Roda Viva).

Não recebeu ajuda financeira dos produtores do filme sobre a sua vida,

nem alguns dólares sequer, do cachê de 21 milhões de dólares do ator Robin Williams!


Os Doutores da Alegria, nos trazem a clareza de que algo importante pode ser feito!

nos lembraram do “Poder do Agora”, bem explicado no livro do alemão Eckhart Tolle.


Estar presente no Agora, nos conecta ao Ser e a Criatividade!


Que possamos rir de nós mesmos, de nossa mediocridade, egoísmo,

de nossas couraças de caráter explicadas por Wilhelm Reich,

que teve seus estudos apagados da história por egoístas materialmente poderosos!


Que a inocência possa ser resgatada,

que o medo perca a força

e que possamos sinceramente rir e liberar o riso nos outros,
atraindo nossa luz interior para o mundo material!


Talvez essa seja a grande Missão do Clown (Palhaço)!

Não precisa ter medo. Eu sou só um palhaço! Não um terrorista!

Nesse dia 2 de junho de 2010. Tive o prazer de ver Pepe Nunes atuando. Palhaço espanhol, residente em Florianópolis já há anos. Desenvolve um belo trabalho na arte do palhaço.

Sua entrada já é um acontecimento derramando gotas de água no público que saem de seu guarda-chuva, passa por entre a platéia e logo começa a ter uma empatia... Realmente parece que a noite vai ser boa ... de tudo vai rolar!

Uma platéia com crianças e adultos. Adultos que se entregam, crianças que são naturalmente entregues.

Participação da platéia. Todas as pessoas que foram até ao palco foram verdadeiros presentes para o palhaço que estava em cena, mas principalmente para nós que estávamos assistindo.

Chama a moça e o moço. Por mais que o moço acerte mais que a moça. A moça sempre tem a aprovação do palhaço ao contrário do outro. Logicamente, pois o palhaço não é bobo e a menina é linda. No final o beijo roubado.YES!!!!

Ele pega o acordeom e toca. Rege os movimentos e participação da platéia. Eu já conheço o número, mas não posso deixar de fazê-lo. No final descobrimos o quão ridículos somos.

Malabares, ilusionismo entre outras performances. Tudo levado pelo palhaço para o deleite da platéia.

Há um tempo atrás, havia assistido a mesma peça em Joinville. Não tinha sido tão prazeroso como foi dessa vez. E isso que dessa vez eu já conhecia os números.

Realmente cada dia é um dia!

E Agradeço o dia em que encontrei com Pepe Nunes.

E nessa noite de hoje passados quase dois anos do nosso primeiro encontro, ainda aprendo tanto com esse palhaço.

Pepe Vai estar com o mesmo espetáculo em Blumenau no Dia 13 de junho no SESC Aldeia Palco Giratório!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

“Onde vamos parar?” (ou a nuvem de todos)

Abrimos Ospália na sede da Cia Andante. A proposta do projeto foi mais uma vez apresentada e, por sua vez, discutida. Os integrantes presentes no último sábado (30/05) à noite também se apresentaram.

As trajetórias distintas de cada um se entrelaçam com a vivência de algo marcante e prazeroso: a (re)descoberta do palhaço.

Sobre esse prazer, antes de pegar o táxi com a Nice para ir a um jantar dançante, o Charles contou ao grupo da sensação que teve na manhã desse mesmo sábado numa saída do Pimentão pelas ruas de Itajaí.

Trocando em miúdos, Charles comentou que algumas pessoas não olhavam o clown. Seja por aversão, timidez, distração ou pressa. “Sem querer eu percebi que as coisas que davam certo, ficavam mais comigo do que as que davam errado”, contou.

Relembro por uma quase-nuvem de tags (abaixo) alguns fragmentos de frases e palavras que foram compartilhadas entre o coletivo no dia 30 de maio. Talvez esses fragmentos preciosos ajudem a responder a pergunta título desse post que também é uma citação do primeiro encontro.

“Minha ALMA anseia por essa experiência.”

Artista Pesquisador Ecoclows Platão

Conexões entre as coisas. Atenção Delicadeza Pepe Nuñes

Lirismo Grotesco “Melhor pegar o elevador até o 14º e ir andando até o 15º.”

EXPLORARVi pouco, li pouco...tem que correr atrás.”

Clown xamã Palhaço moderno Cabeça bOla riso

“Depois a gente não sabe por que as crianças ficam assim, querendo fazer clown”.

Além do entretenimento. rua tempo

“Já pensou se todas as pessoas fossem palhaços?!”. AGENTE DE CURA. Coisas profundas

“Se um dia houver uma revolução clown, ela vai PERDER.”

Já começou! Parar, aonde vai?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sobre crianças, palhaços e esteiras rolantes

Outro dia, quando eu estava no supermercado, encontrei uma cena pitoresca e irei relatá-la aqui:

Cena - saída do supermercado, mais precisamente na esteira rolante.
Sujeito - uma criança gordinha e cheia de energia.
Situação - a criança, impaciente, resolveu descer a esteira rolante caminhando, enquanto os adultos ficavam parados, aguardando a esteira fazer o serviço. Acontece que a criança não quis nem saber quem estava na sua frente. Ia caminhando e contornando os adultos, inclusive esbarrando neles. Eu, que fui testemunha ocular do fato, fiquei rindo. E ri mais ainda quando a criança, depois de descer, resolveu subir pela mesma esteira! E novamente desviando dos adultos e esbarrando. Os adultos ficavam olhando sérios, mas teve um outro que riu comigo. Não importa, eu entendi a mensagem.

A criança é como o palhaço. Não se preocupa com as pressões sociais, ou o que irão pensar dela. Nem ela faz um questionamento interior sobre se é certo ou errado. Simplesmente faz. E por isso foi engraçado, foi vivo, foi autêntico e sincero.

Como o palhaço pode ser, tem todo o potencial para ser:

Engraçado
Vivo
Autêntico
Sincero

Imaginei a mesma situação, mas dessa vez com um bando de palhaços, descendo a esteira rolante e depois subindo, descendo e subindo, descendo e subindo...

Coitado dos adultos!