Esse é o blog do Ospália. Aqui você poderá ver o que acontece e o que não acontece nos projetos Ospaliantes. Além de informações variadas sobre palhaços e arte de maneira geral.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Eternidade em um Momento

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e espalhar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


(Soneto da fidelidade - Vinicius de Morais)



Estava lendo o poema Soneto da fidelidade de Vinicius de Morais. E percebi o quanto de palhaço tem nesse poema. Exaustivamente usado. Mas pouco degustado.

O soneto aborda a entrega, o encantamento, o viver presente na ação, a variação de emoções, a aceitação e transposição da derrota (morte e solidão), e do contentamento com a impermanência da vida.

Lendo o poema lembro da frase de um outro escritor, Henry Miller: "O Clown é a poesia em ação". Li essa frase já faz bastante tempo e hoje ela fez um pouco mais de sentido pra mim.Quem sabe algum dia faça total sentido. talvez não...sei lá.

Mas o fato é que quando saímos de palhaço, entramos em conexão com outro tipo de relação que posso chamar de: Poesia. Esse ar que respiramos e enche nosso corpo de liberdade.
Tanto o palhaço fazedor de derrotas como o poeta fazedor de poemas como qualquer outro artista tem que estar com os pulmões cheios de poesia. Para fazer um sopro de vida e ser deus por um momento.


Charles Augusto - Pimentão

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Crítrica ao UORQUI IM PROCéSI do Ospália

Olá Charles,

Gostei do Abaetetuba ontem. Gostei de te rever. E gostei do Uórqui do Coletivo Ospália. Esses palhaços são bem interessantes. O Wilson é um figura! Muito divertido e tem uma cara muito engraçada, uma voz muito boa.

Gostei do seu número de palhaço. Eu já tinha visto lá no Carlos Gomes um tempo atrás, acho que em julho, quando você tinha feito uma oficina de palhaço em Perequê. E vi que algumas mudanças aconteceram, e surgiram novos elementos. O balão que vira um rosto com o nariz de palhaço. Muito. Charles explore mais esse rosto, a brincadeiras com o balão e os seus tamanhos de enchimento diferentes e você já tem um número solo de palhaço de 40 minutos tranquilamente. E o público vai ficar interessado do começo ao fim.

Gostei do palhaço Canela e da forma como ele interagiu com o público. Ele soube lidar com as informações que o público passou e jogou com isso. Gostei também daquela camisa no braço dele que ganha vida própria. Mas depois ele se perdeu um pouco quando ficou com os dois braços com vida própria. Depois retomou de novo o ritmo de jogo.

Ah e ele não baixou as calças né? E o público pediu. Ele pode até brincar com isso, dando a entender para o público que ele está sem cuecas e não iria dar certo o número (porque tem crianças assistindo - alguma coisa assim). Ótima a ideia de pedir moedas para o público. Super cara de pau hehehe

A palhaça Fada Punk gostei dela também e das mudanças de humor. Mas penso que ela usou muitos diálogos. O que ficou um pouco cativo. O figurino está ótimo e a flor na cabeça, boa sacada! Ela podia brincar mais com a flor, criar uma expectativa maior no público e depois comer. De um modo geral gostei de todos os palhaços porque eles souberam brincar com os seus figurinos e tinham sempre elementos para jogar. (A fada com a flor, você com o balão, o Canela com as camisas dele).

A outra palhaça. Muito boa. Brincou com aquele "voluntário" e depois chamou ele de novo! Ela fez todo um suspense para tirar um lenço do seu figurino, daí o público vibrou com aquilo e ela fez uma cara de: "e daí? É apenas um lenço".

A ideia do instrumento é ótima. Ela cria toda uma expectativa de tocá-lo, mas acontece tanta coisa, ela se distrai, se atrapalha e depois nem toca o instrumento. Muito bom.

Os olhares dos quatro palhaços está ótimo. A presença. Os gestos. Gostei bastante.

Está muito bom o trabalho de vocês. Parabéns. Estão no caminho certo. É dessa forma que eu vejo o palhaço também.

Fiquei com vontade de sair de palhaço de novo ao ver o trabalho de vocês.


 

Luiz Cláudio