Esse é o blog do Ospália. Aqui você poderá ver o que acontece e o que não acontece nos projetos Ospaliantes. Além de informações variadas sobre palhaços e arte de maneira geral.
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terça-feira, 27 de julho de 2010

REFLEXÃO...

" Ele (o Clown), pelo nome que ostenta, pelas roupas que veste, pela maquiagem (deformação do rosto), pelos gestos, falas e traços que o caracterizam, sugere a falta de compromisso com qualquer estilo de vida, ideal ou instituição. É um ser ingênuo e ridículo; entretanto, seu descomprometimento e verdadeira ingenuidade lhe dão poder de burlar situações e pessoas, com certa impunidade" (BURNIER, 1996).


Recomendo um blog interessante : http://clownelinguagem.blogspot.com

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um Corpo "Apropriador"

Jô Fornari e Fernando [?], durante exercício de apropriação física de elementos cênico-criativos.

Sigo pela rua, de peito aberto para encontrar aquilo que ela tem pra me oferecer. Logo em frente encontro uma moça que fazia bichinhos com bexigas, entrei na fila e ganhei um.

Percebi que aí estava a possibilidade de se formar algo. Um jogo, uma forma concreta de contato com o público, que até então estava um tanto receoso comigo. Um simples pato de balão foi o que ela me fez. Foi automático, é como se o pato tivesse tomado vida, e passou a ser meu amigo. Eu cuidava dele e ele de mim. Sem querer construir uma informação em mim, ou buscar algo externo, quando me dei conta, eu era o pato. Desde a forma física até o som. E assim passei uma boa parte da manhã interagindo com as pessoas. Eu acreditava e era quase impossível o meu interlocutor não ser tomado pela minha crença. Eu e meu pato verde e perigoso.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Na rua, a "pancada"!

Esta semana, enquanto preparava o material para nosso próximo encontro, resolvi reler minhas anotações sobre as “saídas a campo”. O relato que segue abaixo é de sete anos atrás.

Acredito que já haviam se passado uns 50 minutos que eu estava na rua. Mas não tenho certeza. A noção de tempo na rua, quando estou atuando como clown, toma outras proporções, e isso não importa.

De repente, percebi que eu estava sendo, digamos, atacado por crianças. Empurravam-me, chutavam e gritavam, mas percebi que não era por maldade, mas como se o palhaço estivesse ali com intuito de ser um saco de pancadas. Talvez toda a informação que tinham, sobre a função de um palhaço, fosse essa [vivemos cercados de estereótipos e noções de senso comum]. Por fim conseguiram o que mais queriam: arrancar meu nariz. Estavam felizes, e afirmo isso, pois por alguns segundos vi o brilho no olhar de cada um, e nos segundos seguintes os pequenos rostos se desmanchando enquanto um deles comentava.

- Ele não é de verdade!

Todos saem correndo e desaparecem pela rua. Espantei-me. Não entendi. Um vazio luminoso me preencheu. Achavam eles que meu nariz era daquele jeito? E o que seria um palhaço de verdade?

Obrigado rua. É por sua causa que tenho este registro anotado. Obrigado crianças. É por causa de vocês que consigo perceber o mundo por outro ângulo. Obrigado “Ospália”. É por causa de vocês, que após sete anos, releio este registro.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Como fazer uma saída de campo?

7-Corpo (no sentido mais amplo da palavra) presente.
6-Disponibilidade para aceitar o que a rua te propõe.
5-Nariz vermelho é importante pois ele é uma porta de entrada, mas pode sair sem ele também.
4-Olhos bem abertos.
3-Ponha uma roupa que se sinta a vontade.
2-Pouca maquiagem.
1-Por favor sem idéias prontas, sem conceitos pré-concebidos.


O resto é com o momento. Não há como prever e receitar precisamente uma saída de campo. O aqui e agora e a improvisação guiam nossas ações. O imprevísivel nos puxa o tapete e nos bota sem sentido ou nos dá um presente e nos permitir transformar a nós mesmos.

humildade

serumano = serumanjo

O que é muito fascinante nas intervenções urbanas. É o poder de entrar na rotina, no cotidiano, no dia-a-dia e mexer desorganizar mesmo por um instante. Estancar o curso da violência mais latente de hoje em dia que é o dominio sobre o corpo (no sentido mais amplo da palavra) , o tempo e o espaço. Onde o vivemos numa cegueira branca.
O arquétipo do palhaço por estar numa situação de não ter nada, de ser o último dos últimos e de ter apenas sua dignidade. Faz outro uso do corpo (no sentido mais amplo da palavra), do tempo e do espaço, e assim pode refletir para as pessoas a falta que faz o dominio desses três.

Palhaços do mundo inteiro uni-vos e percamos. Para refletir como nossa humanidade é frágil e como o cotidiano ao qual somos impelidos no mundo contemporâneo é mesquinho. Quem me dera a espontâneidade que hoje habita alguns coraçõezinhos como os da Luana (uma menina que me ensina a serumano e serumanjo), ou daquela velinha tarada que tira uma casquinha do palhaço.

Vo-ar

segunda-feira, 14 de junho de 2010

o palhaço para nada mas é do que o espelhos de todos nos..ser palhaço é ser humilde ter amor e saber lidar com os problemas do seu jeito...
beijos

sábado, 12 de junho de 2010

A vida do palhaço por estar sempre conectado ao presente passa a ser atemporal , revelando-se e renovando-se a cada instante constantemente. Dessa premissa surge a poesia...
" Sentimentos ativos no presente constante
a vida se manifestando icessantemente.
No futuro adiante
Me livrando dos problemas
sigo para o alto e avante."

terça-feira, 8 de junho de 2010

Construções

Se eu estou “fechado”, só posso criar algo “fechado” para meu trabalho. Mas se estou “aberto”, pode até existir, por opção, a possibilidade de eu criar algo “fechado”, mas existirá então, paralelamente, a possibilidade de criar elementos “abertos”. Ao criar algo para meu trabalho, não existe mal nenhum em utilizar uma técnica pronta, já estudada por alguém, desde que se tente absorver ao máximo e transpor para uma realidade própria. Acredito que é necessário utilizar características próprias, internas e verdadeiras, mesclar com a técnica que se optou por utilizar, e seguir em busca da organicidade, sem perder a identidade do seu trabalho. Mas como fazer com que o orgânico pareça natural no palco? Tarefa difícil! Busca constante! Yoshi Oida, defende, que é praticamente impossível. Entretanto, é essencial parecer. Quando estamos inseridos em uma teatralidade que visa a grupalidade, é necessário estar aberto também aos comentários dos outros. Confiar na sugestão/observação do companheiro. Precisamos um do outro durante os treinos ou na busca da técnica apropriada para cada grupo. Só temos um ao outro, e é onde devemos nos agarrar para encontrar o caminho da “abertura orgânica”.

sábado, 5 de junho de 2010

Onde ele está? Quando ele surge?

Na tradição, sempre foi um virtuose das acrobacias. O tempo e a idade foram agindo [como sobre qualquer outro humano]. Não podendo mais realizar os seus números, ensinava-os a um jovem, que o substituiria, e ele então surgiria.

A chave está naquilo que ele não sabe fazer, lá onde ele é fraco. É preciso aceitar-se e mostrar-se tal como se é. Uma criança que cresceu e que o senso comum não permite desvelar. Mas a cena permitirá, melhor do que a vida.

A menor máscara do mundo.

Ele sabe realizar seus fracassos com talento. Entrega-se puro e sem defesas.

Surge o “riso do corpo”, onde a graça é orgânica.

A graça foi criada ou ela já estava ali? Talvez em algum canto escuro. E desbloqueado/desarmado ela surge quando simplesmente me permito “estar”.

A poética de um clown


Ser Clown no es solamente componer un personaje teatral o circense, ni ser autor de tu espectáculo, es ser poeta, no hacer poesía, sino ser la poesía, un acto poético, un camino, una elección única y para siempre, algo que marca, hasta el limite de lo desconocido.
.
.
Gabriel Chamé Buendia
(Postagem retirada do blogue: http://palhacovoador.blogspot.com/ )

Vo-ar

"Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram.É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos vôos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…"
Rubem Alves

"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras"
Clarice Lispector

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio. Ninguém, exceto tu!"
Nietzsche

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A função mais profunda do Clown (Palhaço)

Os artistas devem acordar para a sua função especial na transformação social!


No caso do Clown (Palhaço), a responsabilidade aumenta,

pois através do humor, Você acessa níveis mais profundos do ser humano!
O receptor vai estar mais aberto, para receber informações para a transformação e consciência!


A função do Clown, não está restrita ao entretenimento,

pois este, tem sido utilizado para anestesiar o povo!


Ele deve educar através do riso,

para compensar o sistema de educação que formata robozinhos!


Charles Chaplin, demonstrou essa determinação em seus filmes e biografia.

Citamos os exemplos nos filmes “Tempos Modernos” e “O Grande Ditador”,

onde através da sátira e conteúdo, expôs nossa loucura social,
crenças distorcidas, medo e escravidão!

Seu tom pessoal de melancolia interior o fez olhar pro que faltava
e perceber que tinha que fazer alguma coisa!


O verdadeiro Médico e Clown, Hunter Patch Adams,

é um desses indivíduos que busca expor as verdades sociais
através do Clown, como linguagem de Amor!

(Vejam a sua entrevista no programa Roda Viva).

Não recebeu ajuda financeira dos produtores do filme sobre a sua vida,

nem alguns dólares sequer, do cachê de 21 milhões de dólares do ator Robin Williams!


Os Doutores da Alegria, nos trazem a clareza de que algo importante pode ser feito!

nos lembraram do “Poder do Agora”, bem explicado no livro do alemão Eckhart Tolle.


Estar presente no Agora, nos conecta ao Ser e a Criatividade!


Que possamos rir de nós mesmos, de nossa mediocridade, egoísmo,

de nossas couraças de caráter explicadas por Wilhelm Reich,

que teve seus estudos apagados da história por egoístas materialmente poderosos!


Que a inocência possa ser resgatada,

que o medo perca a força

e que possamos sinceramente rir e liberar o riso nos outros,
atraindo nossa luz interior para o mundo material!


Talvez essa seja a grande Missão do Clown (Palhaço)!

Não precisa ter medo. Eu sou só um palhaço! Não um terrorista!

Nesse dia 2 de junho de 2010. Tive o prazer de ver Pepe Nunes atuando. Palhaço espanhol, residente em Florianópolis já há anos. Desenvolve um belo trabalho na arte do palhaço.

Sua entrada já é um acontecimento derramando gotas de água no público que saem de seu guarda-chuva, passa por entre a platéia e logo começa a ter uma empatia... Realmente parece que a noite vai ser boa ... de tudo vai rolar!

Uma platéia com crianças e adultos. Adultos que se entregam, crianças que são naturalmente entregues.

Participação da platéia. Todas as pessoas que foram até ao palco foram verdadeiros presentes para o palhaço que estava em cena, mas principalmente para nós que estávamos assistindo.

Chama a moça e o moço. Por mais que o moço acerte mais que a moça. A moça sempre tem a aprovação do palhaço ao contrário do outro. Logicamente, pois o palhaço não é bobo e a menina é linda. No final o beijo roubado.YES!!!!

Ele pega o acordeom e toca. Rege os movimentos e participação da platéia. Eu já conheço o número, mas não posso deixar de fazê-lo. No final descobrimos o quão ridículos somos.

Malabares, ilusionismo entre outras performances. Tudo levado pelo palhaço para o deleite da platéia.

Há um tempo atrás, havia assistido a mesma peça em Joinville. Não tinha sido tão prazeroso como foi dessa vez. E isso que dessa vez eu já conhecia os números.

Realmente cada dia é um dia!

E Agradeço o dia em que encontrei com Pepe Nunes.

E nessa noite de hoje passados quase dois anos do nosso primeiro encontro, ainda aprendo tanto com esse palhaço.

Pepe Vai estar com o mesmo espetáculo em Blumenau no Dia 13 de junho no SESC Aldeia Palco Giratório!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sobre crianças, palhaços e esteiras rolantes

Outro dia, quando eu estava no supermercado, encontrei uma cena pitoresca e irei relatá-la aqui:

Cena - saída do supermercado, mais precisamente na esteira rolante.
Sujeito - uma criança gordinha e cheia de energia.
Situação - a criança, impaciente, resolveu descer a esteira rolante caminhando, enquanto os adultos ficavam parados, aguardando a esteira fazer o serviço. Acontece que a criança não quis nem saber quem estava na sua frente. Ia caminhando e contornando os adultos, inclusive esbarrando neles. Eu, que fui testemunha ocular do fato, fiquei rindo. E ri mais ainda quando a criança, depois de descer, resolveu subir pela mesma esteira! E novamente desviando dos adultos e esbarrando. Os adultos ficavam olhando sérios, mas teve um outro que riu comigo. Não importa, eu entendi a mensagem.

A criança é como o palhaço. Não se preocupa com as pressões sociais, ou o que irão pensar dela. Nem ela faz um questionamento interior sobre se é certo ou errado. Simplesmente faz. E por isso foi engraçado, foi vivo, foi autêntico e sincero.

Como o palhaço pode ser, tem todo o potencial para ser:

Engraçado
Vivo
Autêntico
Sincero

Imaginei a mesma situação, mas dessa vez com um bando de palhaços, descendo a esteira rolante e depois subindo, descendo e subindo, descendo e subindo...

Coitado dos adultos!