Esse é o blog do Ospália. Aqui você poderá ver o que acontece e o que não acontece nos projetos Ospaliantes. Além de informações variadas sobre palhaços e arte de maneira geral.
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sábado, 5 de junho de 2010

A poética de um clown


Ser Clown no es solamente componer un personaje teatral o circense, ni ser autor de tu espectáculo, es ser poeta, no hacer poesía, sino ser la poesía, un acto poético, un camino, una elección única y para siempre, algo que marca, hasta el limite de lo desconocido.
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Gabriel Chamé Buendia
(Postagem retirada do blogue: http://palhacovoador.blogspot.com/ )

domingo, 30 de maio de 2010

CIRCO DE "BOLANTINS" n°2

Este artigo foi retirado da página virtual: http://www.jangadabrasil.com.br


Dos circos de cavalinhos ou de bulantins, dos sempre lembrados tempos da nossa quadra infantil, um personagem, por sinal, muito popular e admirado, e porque, não dizer, querido mesmo, ficou indelevelmente gravado no fundo do nosso coração e dele, francamente, temos saudades.

Referimo-nos ao palhaço.

Aquela figura burlesca de cara pintada que à tarde, montado a cavalo, andava pelas ruas anunciando o espetáculo e à noite, no picadeiro, nos fazia rir à vontade com seus ditos e momices.

Em dias de função, ao cair da tarde, trajando espalhafatosa indumentária e cavalgando às avessas, isto é, de costas voltadas para a frente da montaria, saía o palhaço para cumprir sua missão.

Como por encanto, de todos os lados surgiam crianças e às vezes taludos mesmo, que a cada instante engrossavam o barulhento e heterogêneo cortejo.

O préstito bufo, cada vez mais numeroso, percorria quasi toda a cidade, alertando e animando-a para a função.

Uma vezes cantando, outras não, ao que a turma em coro respondia, o palhaço ia fazendo o seu anúncio.

São do nosso tempo, o que vamos recordar.

- Hoje tem espetáculo?
- Tem, sim, senhor.
- Às oito horas da noite?
- É, sim, senhor.
- Hoje tem marmelada?
- Tem, sim, senhor.
- É de noite e de dia?
- É, sim, senhor.
- Aproveita moçada.
- Dez tostões não é nada.
- Sentadinho na bancada.
- Para ver a namorada.
- O palhaço o que é?
- É ladrão de mulher.
- E a moça na janela?
- Tem cara de panela.
- E a negra no portão?
- Tem cara de tição.
- A criança que chora?
- Quer mamar.
- E a moça que namora?
- Quer casar.
- Hoje tem forrobodó?
- Tem, sim, senhor.
- É na casa da tua avó?
- É, sim, senhor.
- Hoje tem arrelia?
- Tem, sim, senhor.
- É na casa da tua tia?
- É, sim, senhor.
- É de perna de pau?
- É de blau-blau-blau.
- O batuque na cozinha
- A sinhá não quer.
- E por causa do batuque?
- Eu queimei meu pé.
(cantando)
- Papai, mamãe, venham ver titia.
- Tomando banho de água fria.
(cantando)
- Papai, mamãe, venham ver vovó.
- Tomando banho de água só.
(cantando)
- Papai, mamãe, venham ver Loló.
- Tomando vinho com pão de ló.
- O raio de sol suspende a lua.
- Por causa do palhaço que saiu à rua.
- O sino da matriz já bateu seis horas.
- Coitado do palhaço que já vai embora.
- Viva a rapaziada sem ceroulas.
- Vivaaaaaaaaaaaaaaaas...

Quando regressavam, nos fundos do circo havia um "peludo", assim crismados pelo vulgo, os empregados, o qual era encarregado de marcar os acompanhantes do palhaço.

Consistia esta marcação, em fazer na testa de cada, determinado sinal com tinta preta ou branca. Servia esta marca, para à noite, dar ao seu portador, livre ingresso ao espetáculo.

Radiantes voltavam todos para casa, conservando religiosamente a marquinha, bem no centro da testa. Quando tentavam apagá-la ou o faziam, era motivo de demorado choro ou solenes taponas.

Verdadeiro ato de heroísmo praticavam os que tinham a ousadia de penetrar no recinto do circo, entrando por debaixo do pano.

Além de alta cerca de arame, tinham os penetras que enfrentar, às vezes, cachorros e quase sempre, as alentadas varadas dos encarregados da vigilância externa.

Inesquecíveis tempos aqueles, em que crendice generalizada entre o povo era, que a chegada do circo de bulantins, representava sinal certo de mau tempo e chuvas...


São Francisco do Sul, julho de 1956.


(SILVEIRA, O. Em Boletim da Comissão Catarinense de Folclore.)

CIRCO DE "BOLANTINS"

Esse artigo foi retirado dá página virtual: http://www.jangadabrasil.com.br


Uma das mais antigas formas de distração de que o povo sempre gostou foi a do "circo de bolantins", "circo de cavalinhos", nomes populares dados a essa esplêndida distração que é a instituição circense, percorrendo as cidades, enfeitando as noites com acrobacias, luzes, ribaltas improvisadas, canto, teatro, animais domesticados enfim tudo aquilo que oferece um espetáculo não raro inesquecível.

Dizem que o circo morreu. Não é verdade. Basta revê-lo agora nos vídeos das televisões para se aquilatar da sua vitalidade. Ele teve que assumir em outras formas, abandonar os picadeiros, os barracões de lona para retomar a sua alta finalidade educativa e provocadora de suspense e hilaridade noutro local - nos estúdios de televisão.

Ainda pelo interior do Brasil algumas companhias circenses nesse afã heróico percorrem cidade por cidade.

Saiu pela rua, à tarde, um palhaço, acompanhado pela criançada, um magote de quinze meninos. O palhaço ia anunciando o espetáculo, cantando, e a "rabacuada" respondendo:

- Eu vi a negra na janela, - respondem os meninos em coro:

- Tinha cara de panela.

Solo: - Eu vi a negra no portão.

Coro: - Tinha cara de tição.

Solo: - Hoje tem espetáculo?

Coro: - Tem, sim, senhor.

Solo: - Hoje tem marmelada?

Coro: - Tem, sim, senhor.

. . . . . . . .

Solo: - Hoje tem forrobodó?

Coro: - Tem, sim, senhor.

Solo: - Na casa da sua avó?

Coro: - Na sua!... Na sua!

Os moleques que saíram a cantar pela rua atrás do palhaço receberam no braço uma marca de tinta-óleo. Tal marca seria mostrada à noite ao porteiro do circo, assim o portador teria ingresso gratuito ao espetáculo. É a recompensa do trabalho de sair gritando pela rua, acompanhando o palhaço.

- O palhaço o que é?

- É ladrão de mulé!

- O palhaço é bão?

- Pra comê com feijão.

- O raio de sol suspende a lua...

- Brabo palhaço que tá na rua...

A farândola alegre passa e mal se ouve o resto da propaganda do spetáculo que à noite reunirá os ämarra cachorro" mal ajambrados dos dólmãs ou "casaca-de-ferro", a correr de um canto para outro ou imóveis quando a companhia entra triunfal para a apresentação inicial do picadeiro: barristas, mágicos, bailarinas, cantores, equilibristas, palhaços, trapezistas. E lá no poleiro, na arquibancada, daremos a melhor das gargalhadas com as piadas dos palhaços e bateremos palma hoje à noite Porque o circo não morreu!

- Hoje tem espetáculo?

- Tem, sim, senhor.


[1973]


(ARAÚJO, Alceu Maynard. Cultura popular brasileira)