Prólogo
Já se fazia noite na pequena e pacata cidade de Itajaí. No alto do canto do morcego lagartos já cochilavam, passarinhos se recolhiam em seus ninhos, cobras em seus buracos, tartarugas em seus cascos, enquanto grilos e gafanhotos embalavam as estrelas com sua longa sinfonia. No centro da cidade, comerciantes fechavam suas portas após sua “nem tão longa” jornada de trabalho, donas de casa se apressavam em servir os seus jantares, operários e peixeiros relaxavam em seus sofás queixando-se de suas crônicas dores lombares, vendedores ambulantes, secretárias, manicuras e toda uma sorte de noveleiros de plantão aguardavam ansiosos o final do horário eleitoral gratuito p liberar suas emoções frente à telinha. (plin-plin).
Enquanto isso num outro ponto da cidade, mas especificamente na rua que nunca me lembro nome numero num sei lá o que, numa pequena “Choupana de madeira”, algo de muito estranho parecia acontecer... Nada de aparelhagens multimídia, televisores ou qualquer coisa do tipo, nem sequer um radinho a pilha ligado para manter a conexão com o espaço externo, essa anomalia comportamental havia sido batizada com o nome fictício de reunião d’ “OsPalias”.
Primeiro Ato
A Cerimônia do Chá
Naquela noite na mesma choupana de madeira... Jô Fornari e Laércio Amaral curtiam um romance transcendental, embalados na literatura Zen Budista, seus olhares refletiam toda afeição e desejo que sentiam mutuamente um pelo outro, seus coraçõezinhos pulsavam acelerados na mesma freqüência rítmica e galáctica interestelar, enquanto tentavam transpassar para as visitas toda a calma e tranqüilidade lida no livro. Não distante dali um casal comia seu lanche noturno, confidenciando as aventuras vividas durante o dia a dia, no mesmo momento num outro ponto da cidade, um pequeno acionista da Semasa Charles Muller (O Augusto) se despedia de sua amável mãezinha e de seus quitutes favoritos enquanto montava sua bicicleta aro 20, modelo barra forte, sucesso absoluto dos anos 80. Nesse mesmo horário ouviu-se o sino tocar juntamente com o cartão de pontos do jovem administrador de empresas Renê que caminhava a um metro do chão por ter descoberto que vida só se manifesta no presente e que as pessoas dificilmente se encontram no presente por estarem presas ao passado ou vivenciando o futuro.
A jovem engenheira Marcela Urbano chegou cedo naquela quinta acompanhada de seu parceiro Wilson (um jovem velho terrorista na contagem regressiva para a autodestruição) que se sentia como um filho fugitivo em meio ao reduto dos loucos que aos poucos se formava no local. Marcela estava realmente concentrada e disposta a concluir de uma vez por todas o trabalho, o qual se proporá com o grupo. Na seqüência chegam ao recinto Renê e por ultimo, porém não atrasado Charles Muller (o Augusto), após os cumprimentos tem início a cerimônia do chá.
A cerimônia se inicia com uma breve citação do antigo ritual indígena do bastão, onde quem está c o bastão tem direito a voz na reunião para que assim possa se manter a ordem no grupo, o bastão foi substituído por um outro artefato indígena que fica pendurado à porta e serve não somente para enfeite como também para extrair o liquido proveniente da mandioca para posterior secagem em forma de farináceo.
Entre uma e outra xícara de chá, Renê nos participou de sua mais recente descoberta o qual foi surpreendido com um turbilhão de outras informações do velho grupo que citaram um sem fim de outras fontes do mesmo assunto inclusive o mestre “Osho” o guru dos rolls royces, que embora tenha dito varias verdades sobre o estado de presença do ser humano, utilizava-se de métodos e ostentava uma vida um tanto diferenciada para um guia espiritual (inclusive processado diversas vezes em vários países).
Renê se surpreendeu ao ver que seus companheiros já haviam aberto essa caixa de Pandora algumas vezes e mesmo assim ainda caminhavam com os pés no chão nessa mesma esfera terrestre. (é meu velho, enxergar a verdade é até fácil difícil é permanecer nela.)
Falaram também sobre umbanda, quimbanda, candomblé, todos os pontos riscados e traçados a cerca de entidades invisíveis (e depois ainda criticam termo quando o ator diz que incorpora o personagem), enfim... ops essa palavra por razões de força maior teve de ser censurada do texto.
Segundo Ato
As Ações
Relembraram saudosos os que participaram do retiro e os que tem marcado presença assídua em todas as reuniões Jamezianas, manifestando seus respectivos contentamentos e descobertas acerca da difícil arte de manter-se no presente constante. Relembraram também das pessoas que só estavam ali presentes em espírito como a fada sustentável, e do casal de ovelhas brancas desgarradas de Blumenau, lamentaram a ausência dos ausentes e brindaram a presença dos presentes. Comemoraram também a prorrogação do prazo para a entrega de seus trabalhos, porém se mantiveram firmes com mesmo slogam que levou a vitória o time da seleção de voley... _Não relaxa!
Discutiram também sobre as minhas intenções de permanência na fraternidade do riso, senti-me um pouco acuado, porém também encarei o desafio de aprender o fazer rir, uma vez que, tenho feito alguns laboratórios por conta própria em rio do sul no Bar Mexicano Pancho Villa, onde encarno um fora da lei atrapalhado de nome Ramirez Sozza e sob a trilha sonora de Los Mariachis, tenta convencer o público a beber mais tequila, para provarem sua bravura e entrarem no bando do pistoleiro e lutar por “La Revolucion”, uma espécie de Zé Pilintra mexicano. E na mesma praia do ridículo figuro também com o “palhaço Paparazzo” que atua em intervenções de outros artistas como músicos, horas como apresentador horas como fã, trabalhando a relação direta com o público, horas como branco, horas como augusto.
Após isso mais chá, Itajaí em cartaz pra deixar eu e minha parceira com água na boca por não termos nada p apresentar... Tudo bem ano que vem tem mais. Ah sim quase ia me esquecendo conversou-se também sobre linhas de estudos e de trabalho, sobre a importância de um grupo fechado, sem realmente fechar-se para o novo bem como para o mundo, mais abstrações e... fim do chá.
Terceiro Ato
A Despedida
Já era tarde da noite na pequena e pacata cidade de Itajaí quando o pacote de bolachas se acabou misteriosamente, um pequeno momento de silencio se fez enquanto o bastão passava de uma mão para outra, o casal que já enfadado da conversa se entre olharam procurando a melhor forma de despachar os aspirantes do riso, estes, por sua vez, sabendo do avançar das horas, também se apressaram em se despedir mergulhando mais uma vez na fria, pequena e pacata cidade de Itajaí enquanto a cidade acabava de assistir a mais um capitulo de Passione. Todos os seres terrestres adormeciam tranqüilos sem desconfiar dos planos malévolos do grupo secreto que ainda querem "Matá-los" de tanto rir.
Beijos e braços se seguiram de juras de amor e fidelidade eterna a essa nobre causa, até que o ronco do motor da Biz de marcela cortasse o silencio noite da cidade que adormecia.
Até o próximo encontro.
Salve a união as igrejas!
Haribol!
Axé Nago!
Amém Jesus, Maria e José!
Viva a Força da Palhaçaria!
Viva o Riso!
Viva!
Continua...
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Fiquei bege com esta ata!
ResponderExcluirMuito bom Wilson, bela escrita. Poética e lírica, sem deixar de ser funcional ou prática ou sei lá q termo se usa...técnica talvez.
Tipo, não botava fé... mas agora boto!!!
JÔ
minha nossa ... isso é coisa de gente doida..mas da vontade de poder estar também.
ResponderExcluirquero também!
bijinhos
nice
Boa rasta!
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